biografia e história

sobre jba

João Batista de Andrade

Mineiro de Ituiutaba, o escritor e cineasta João Batista de Andrade, 65 anos, é doutor em Comunicação pela Universidade de São Paulo. Autor de 11 longa metragens, de documentários e filmes para a televisão, entre seus filmes mais conhecidos destacam-se ‘Doramundo’, ‘O Homem que Virou Suco’ e ‘O País dos Tenentes’, que recebeu cinco prêmios no Festival de Brasília e foi considerado o melhor filme pela Riocine em 1987.

Como escritor, é autor do livro ‘Perdido no Meio da Rua’ e ‘O Portal dos Sonhos’, entre outros títulos. Em 2002, lançou ‘O Povo Fala’, com a sua tese de Doutoramento em Comunicação pela USP. Além do cinema e da literatura, João Batista de Andrade ocupou diversos cargos ligados ao cinema e à cultura brasileira. Presidiu a Associação de Cineastas de São Paulo (APACI) e a Cinemateca Brasileira, foi conselheiro do Museu da Imagem e do Som – MIS e coordenador-geral do FICA (Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental) em sua primeira e terceira edições.

Sempre pensei meu cinema como uma visão reveladora da realidade, com olhar político. E por isso muitos dos meus filmes falam da dificuldade dos personagens em enxergar o que acontece em volta e dentro deles: esse é o desafio.

Mineiro de Ituiutaba (1939), escritor, cineasta, desenhista, ex-militante político, ativista da política cultural, mais conhecido como cineasta e pelos cargos importantes na política cultural brasileira. Iniciou no cinema ainda estudante (Escola Politécnica da USP, desde 1960)) em 1963, curso que teve que abandonar em 1964 (último ano) por causa do golpe militar. Seu primeiro filme, o documentário de média metragem “Liberdade de Imprensa”(1967) traz sua marca, como “cinema de intervenção” e foi apreendido pelo Exército no Congresso da UNE (1968). Destino semelhante teve seu segundo filme, “Portinari, um pintor de Brodósqui”, curta-metragem em 35mm arquivado pelos dirigentes do INC (Instituto Nacional do Cinema), também em 1968. 

Participou, embora negue uma adesão, do movimento do Cinema Marginal da Boca do Lixo, destacando-se a sua obra “Gamal, O Delírio do Sexo” (1969), Prêmio Air France\1969 como diretor revelação, filme que chegou a negar três anos depois por considerar que se desviara de seu cinema marcadamente político. Esse gesto que marca sua volta ao documentário e ao desenvolvimento de seu método original, o Cinema de Intervenção, vendo no documentário não só o registro mas a revelação do que a própria realidade oculta. Esse desejo se realiza a partir de 1972 com a parceria com os amigos Fernando Pacheco Jordão e Vladimir Herzog, jornalistas que o convidaram para realizar especiais no programa jornalístico, -e diário-,  “Hora da Notícia”, criado naquele anona TV Cultura de SP. 

Símbolo de seu trabalho é o filme “Migrantes”, um dos dezenas de filmezinhos de até 7 minutos que realizara até a demissão em 1974, marcando o fim de quase dois anos de intensa perseguição política e proibição de vários filmes pelos representantes da ditadura militar na TV Cultura e no Departamento de Censura. Migrantes foi o vencedor da Jornada Brasileira de Documentários de 1973, onde seu extenso trabalho de documentarista na TV é reconhecido e premiado.

Em 1974, demitido da TV Cultura, é convidado a criar na TV Globo de São Paulo, uma Divisão de Reportagens Especiais, onde realiza inúmeros documentários em geral de média-metragens para diversos programas, especialmente o “Globo Repórter” criado e realizado por cineastas brasileiros e que exibia a capacidade dos cineastas brasileiros de alcançarem qualidade e sucesso de público.

Entre os cineastas que realizavam o programa estavam Maurice Capovilla, Paulo Gil Soares, Eduardo Coutinho, Walter Lima Jr, Hermano Penna e, claro, João Batista de Andrade. Entre os filmes realizados para o programa estão os dois primeiros com a marca da perseguição política da ditadura: “A escola de 40 mil ruas” e “A batalha dos transportes”, ambos de 1974 e proibidos “em razão da época das eleições parciais (deputados e senadores)” e só liberados no ano seguinte. Em 1974 o recém empossado presidente General Ernesto Geisel sofre, nessas eleições, derrota importante para a luta pela democratização do país.

Símbolos de seu extenso trabalho em vários programas da TV, particularmente no Globo Repórter, são os filmes “Caso Norte” (1977), votado como o melhor programa pela crítica nacional (*), – e “Wilsinho Galiléia” (1978) longa metragem que seria exibido em dois programas do GR mas que foi proibido em todas as instâncias de censura, até ser definitivamente proibido pela própria Presidência da República, com intensa repercussão. 

Os originais do filme ( em 16mm) foram doados a JBA pelo próprio diretor do Programa, o cineasta Paulo Gil, que os encontrou depois de quase uma década desaparecido após a proibição. Exibido pela primeira vez 24 anos após a proibição, em 2002, “Wilsinho…foi recebido com espanto e considerado um dos melhores documentários de longa metragem da história do Cinema Brasileiro. Reconhecimento que se multiplicou com inúmeros convites nacionais e internacionais, como a homenagem na abertura do Festival de Pésaro, na Itália, festival reconhecido pela sua origem e continuidade da adesão ao “cinema de autor”.
(*) Comentário representativo de um participante do “Filmow”

A arte deve ter um papel social. O que fazemos é dar uma forma pessoal, inventiva, do que a realidade se impregna em nós, em nossa imaginação. Respostas, iluminações, quaisquer que sejam elas.

Em 1977, após uma longa temporada no documentário e na televisão, realiza “Doramundo”, que mesmo recorrendo à literatura, acaba por levar para o universo ficcional uma carga crítica resultante da sua quase militância no campo do jornalismo televisivo. Neste filme, ele inicia uma das principais características de suas próximas obras: a discussão política através do cinema. Por “Doramundo”, João Batista foi premiado com o Kikito de melhor filme e melhor diretor no Festival de Gramado de 1978.

No ano de 1981, ele recebeu o Kikito de melhor roteiro por “O Homem que Virou Suco” (1980), filme que logo a seguir ganhou um dos maiores prêmios do cinema brasileiro, a Medalha de Ouro de Melhor Filme no Festival de Moscou/1981. Em 1983, causa forte impressão ao desmistificar violentamente a ilusão da abertura democrática em “A Próxima Vítima”, um de seus melhores filmes. Em 1987 ganhou quase todos os prêmios do festival de Brasília, com o polêmico “O país dos tenentes”(com Paulo Autran) com temática ligada ao fim do regime militar. No ano seguinte recebeu o prêmio de Melhor Filme no RioCine. O Plano Collor interrompeu sua carreira de forma drástica e o cineasta se auto-exilou no interior brasileiro: 8 anos sem filmar. Em 1995 volta ao cinema com um filme de baixíssimo orçamento “O cego que gritava Luz”, vencedor dos prêmios de Melhor ator e o “Prêmio Assembléia Legislativa de Brasília”. Este filme circulou o mundo com outros filmes, Mostra do que se convencionou chamar de “Retomada do Cinema Brasileiro”, cinco anos após o Plano Collor. 

 

Em 2004 JBA retorna a São Paulo, logo se tornando Secretário de Estado da Cultura, quando criou o programa de incentivos à cultura em SP, o PROAC- Programa de Ação Cultural. E realizou diversos filmes, como VEIAS E VINHOS, baseado na obra do escritor Miguel Jorge.

Retomada a carreira, JBA continuou morando em Goiás até 2004.  Nesse período exerceu uma intensa atividade, desde a criação de Festivais de Cinema até à produção de inúmeros filmes, documentários e ficções, entre os quais destacamos os longas:

  • O Tronco, – épico de 1998 baseado no romance de Bernardo Élis. Recebeu o prêmio de Melhor Filme pela Comissão das Comemorações dos 500 anos de Brasil (Festival de Brasília)vencedor do prêmio de Melhor Filme pela Comissão dos 500 anos do Brasil
  • Rua Seis sem Número
  • Vida de Artista, vencedor da Mostra do Filme Livre, Rio\2004

Produziu também o filme “Uma vida em Segredo”, de Suzana Amaral. 

Sua presença em Goiás provocou um movimento local de criação de um ambiente fértil de produção cinematográfica, inserindo Goiás na lista dos bons produtores de cinema brasileiro.

Em 2005 realizou o documentário de longa metragem “Vlado, trinta anos depois”, sobre seu amigo Vladimir Herzog, morto em dependências do Exército em São Paulo em 1975. Em 2010 foi o grande homenageado do festival latino-americano de cinema (Memorial da América Latina).

Bastante atuante na área de política cultural, foi o idealizador, responsável ou corresponsável pela criação de inúmeras entidades culturais, como o Grupo Kuatro de Cinema (1963), a Tecla Produções Cinematográficas (1967), a RPI- distribuidora (1968), a APACI (Associação Paulista de Cineastas), o Polo de Cinema de SP (1979), o FICA- Festival Internacional de Cinema Ambiental, de Goiás (1999), o ICUMAM -Instituto de Cultura e Meio Ambiente (2000), a Oeste Filmes (2001),  o FestLatino- Festival do Cinema Latino-Americano de SP (2006).

Em 2012 foi nomeado Presidente da Fundação Memorial da América Latina e, em 2017,  Ministro Interino da Cultura. No final de julho do mesmo ano pediu demissão do cargo de Ministro Interino ao mesmo tempo em que os jornais estampavam suas ásperas críticas ao governo. 

Uma seleção de alguns prêmios de JBA

No ano de 1981, João Batista recebeu o Kikito de melhor roteiro por “O Homem que Virou Suco” (1980), filme que logo a seguir ganhou um dos maiores prêmios do cinema brasileiro, a Medalha de Ouro de Melhor Filme no Festival de Moscou/1981.

Em 1987 ganhou quase todos os prêmios do festival de Brasília, com o polêmico “O país dos tenentes”(com Paulo Autran) com temática ligada ao fim do regime militar. Em 1988 recebeu o prêmio de Melhor Filme no RioCine.

PRÊMIOS KIKITOS - festival de GRAMADO - RS

  • Prêmio de Melhor filme (“Doramundo”)
  • Prêmio de Melhor diretor (“Doramundo”) 
  • Prêmio de Melhor roteiro por (“O Homem que Virou Suco”)

Prêmios Festival do Rio e Festival de Brasília

  • “O país dos tenentes” 

Melhor Filme pela Comissão das Comemorações dos 500 anos de Brasil (Festival de Brasília)

  • “O Tronco”

Prêmio Especial do Júri Internacional, FEST-RIO/1986

  • Documentário “Céu Aberto”

PRÊMIOS DE MELHOR ATOR E ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DE BRASÍLIA

  •  “O cego que gritava Luz”

Prêmios Internacionais de melhor filme

  • Documentário “Céu Aberto”
  • O homem que virou suco

homenagem no festival latino-americano de cinema em 2010 (Memorial da América Latina)

  • Documentário “Céu Aberto”

Acho que hoje temos um cinema jovem procurando seu país. Da mesma forma em que em minha geração fazíamos um cinema sonhando com um novo país.

Política, cinema e literatura. Em geral, juntas. As três marcam a carreira do mineiro de Ituiutaba João Batista Moraes de Andrade que também tem sólida formação acadêmica, sendo doutor em Comunicações pela USP (Universidade de São Paulo), onde também lecionou.

Foi secretário de Cultura do estado de São Paulo, onde criou a Lei da Cultura estadual. Antes de vir para o MinC, presidiu o Memorial da América Latina (SP). 

Militante do antigo partidão, o Partido Comunista do Brasil, Batista começou sua carreira de cineasta quando era ainda estudante de Engenharia, na Escola Politécnica de Universidade de São Paulo. Durante e depois da ditadura militar, escreveu e produziu curtas, médias e longas-metragens. Entre eles, destacam-se “Liberdade de Imprensa”(1966/67); “Doramundo” (1978), “O Homem que Virou Suco” (1980), “A Próxima Vítima” (1983), “O País dos Tenentes” (1987) e “O Tronco” (1999).

Trabalhou como repórter na TV Cultura, ao lado de Fernando Pacheco e Vladmir Herzog, na primeira metade da década de 1970. Sobre a vida do seu editor e amigo, veio a elaborar o documentário Vlado – 30 Anos Depois (2005). Também produziu reportagens especiais para Rede Globo. 

Criou a Raiz Produções Cinematográficas, foi sócio fundador do Instituto de Cultura e Meio Ambiente (Icumam), Organização não-governamental de produção audiovisual em Goiás, e do Cinemar -Instituto do Homem, Audiovisual e Meio Ambiente, em São Paulo.