Filmografia & História

João Batista
de Andrade

biografia e história

sobre jba

SEMPRE PENSEI MEU CINEMA COMO UMA VISÃO REVELADORA DA REALIDADE, COM OLHAR POLÍTICO. E POR ISSO MUITOS DOS MEUS FILMES FALAM DA DIFICULDADE DOS PERSONAGENS EM ENXERGAR O QUE ACONTECE EM VOLTA E DENTRO DELES: ESSE É O DESAFIO.

Mineiro de Ituiutaba, o escritor e cineasta João Batista de Andrade, 65 anos, é doutor em Comunicação pela Universidade de São Paulo. Autor de 11 longa metragens, de documentários e filmes para a televisão, entre seus filmes mais conhecidos destacam-se ‘Doramundo’, ‘O Homem que Virou Suco’ e ‘O País dos Tenentes’, que recebeu cinco prêmios no Festival de Brasília e foi considerado o melhor filme pela Riocine em 1987.

Como escritor, é autor do livro ‘Perdido no Meio da Rua’ e ‘O Portal dos Sonhos’, entre outros títulos. Em 2002, lançou ‘O Povo Fala’, com a sua tese de Doutoramento em Comunicação pela USP. Além do cinema e da literatura, João Batista de Andrade ocupou diversos cargos ligados ao cinema e à cultura brasileira. Presidiu a Associação de Cineastas de São Paulo (APACI) e a Cinemateca Brasileira, foi conselheiro do Museu da Imagem e do Som – MIS e coordenador-geral do FICA (Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental) em sua primeira e terceira edições.

contexto político

timeline

1960

Contexto político da época

Ingressa na Escola Politécnica de Engenharia, USP.  O país vem de um período de euforia, com o desenvolvimentismo do governo JK. Uma época de grandes esperanças e explosão cultural, nascedouro de movimentos fundamentais como a Bossa Nova, os Teatros Oficina e Arena e o Cinema Novo. Isso fez com que JBA abraçasse rapidamente as oportunidades de crescimento pessoal, ligando-se a amigos e colegas, grupos de literatura e cinema. E de política. Um ano depois, a crise que colocaria o país na rota do golpe de estado: a renúncia do presidente eleito, Jânio Quadros, que tenta golpear o parlamento. Os militares se opõem `posse do vice, João Goulart. João Batista se engaja cedo na luta pela legalidade, participando de passeatas estudantis.

1960
1963

Ano de definição para JBA

Desencantado com a engenharia e fascinado tanto pela política quanto pela cultura, é o ano de engajamento.

Na área cultural se liga a colegas da casa do estudante politécnico num jornal literário. E finalmente atravessa a porta do cinema, participando da formação de um grupo de cinema iniciado pelo cineasta Francisco Ramalho Jr: o GRUPO KUATRO. Uma câmera 16mm Paillard Bolex, uma revista de cinema (Cadernos da Poli), uma atividade cineclubista, exibindo filmes preferencialmente políticos em escolas, centros-acadêmicos. Filmes como “O encouraçado Potenkim” e “Dez dias que abalaram o mundo”, ambos de Sergei Eisenstein; “O bandido Giuliano” de Francesco Rosi. É quando conhece cineastas de SP, como Murice Capovilla, Vladimir Herzog, Person, Roberto Santos. E Jean Claude Bernardet, então crítico de cinema do jornal Ultima Hora. E cineastas do Cinema Novo do Rio, como Nelson Pereira, Leon Hirzmann, Cacá Diegues, Joaquim Pedro, amizade que fez de JBA uma ponte viva entre o cinema carioca e o paulista. 1963 é também o ano da definição política: filiado ao PCB ( Partido Comunista Brasileiro), torna-se Diretor da UEE, União Estadual de Estudants-SP.

1963
1964

Fim das ilusões

O golpe de Estado que leva os militares ao poder. JBA, militante, perde o chão, um momento de solidão e sofrimento que ele vive, escrevendo histórias daquele momento. Histórias que mais tarde reuniria em seu primeiro livro editado: “Perdido no meio da Rua”. 

1964
1967

Liberdade de imprensa

Em 1967, o primeiro filme finalizado e “solo”: o documentário Liberdade de Imprensa, filme que é reconhecido como inovador e matriz de seu cinema documentário: o “cinema de intervenção”. Apreendido pelo exército em 1968, no Congresso de da Une em Ibiúna, o filme assim mesmo ficou famoso e merecedor de estudos universitários.

1967
1968

Reação do movimento estudantil

Alguma reação foi ensaiada pelo movimento estudantil. JBA, Ramalho e Batatais ( José Américo Vianna), do Grupo Kuatro, filmam passeatas e ensaiam os primeiros filmes entre 63 e 64. O golpe desfaz o Grupo Kuatro. JBA fica escondido por seis meses no apartamento de um amigo. E já não volta à engenharia, apesar de estar no quinto e ultimo ano do curso da Politécnica. Vai trabalhar na Cinemateca Brasileira, dirigindo a Sociedade Amigos da Cinemateca, a convite do amigo Rudá de Andrade.

Mas o golpe se aprofunda. Reagindo às mobilizações e às propostas de guerrilha em andamento, o governo militar aprofunda o golpe, editando o AI-5 (Ato institucional nº 5), fechando o Congresso e limitando ainda mais as precárias liberdades públicas. E alimentando uma crise profunda entre a juventude. É nesse contexto que JBA realiza seus primeiros filmes de ficção. O média “O filho da Televisão” e o longa “Gamal”, que o realizador rejeita depois, vendo nos filmes o sinal de uma crise pessoal que o distanciava de seus propósitos originais. Isso não tirava o valor cinematográfico e criativo dos filmes: JBA recebeu o importante prêmio Air France como diretor revelação justamente por “Gamal”.

1968

filmes, documentários, homenagens

filmografia

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Sobre "VLADO - 30 ANOS DEPOIS" (2005):

O que Andrade faz nesse seu filme-cerimônia, em boa parte do tempo religioso, é a rigor um jogo entre espírito e objeto dos mais hábeis, diante de sua principal fonte: os entrevistados. Seu empreendimento é o da materialização do invisível, da geometrização das memórias. Mestre de cerimônias proclamado, João Batista apresenta a obra que virá como um documentário ósseo e palavrado. Um filme desnutrido, de tecidos insubstanciais, sem (muitas) imagens de arquivo.

Claudio Szynkier, Contracampo - Revista de Cinema

prosa & poesia

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